Para onde quer que você se dirija em Sobral, tem um flanelinha a lhe abordar, querendo “pastorar” seu carro. Se o cidadão tem que parar seu veículo algumas vezes no centro, tem que estar preparado para a exigência do rapaz que diz que vai “olhar” seu transporte. São muitas reclamações por causa de atitudes abusivas tomadas por esses ditos vigias de carros. São abusos e até ameaças feitas por eles aos donos de veículos. Pessoas já denunciaram isso à polícia, mas o problema persiste.

O radialista Luís Siqueira, instado pela nossa reportagem, falou de sua indignação com o problema, afirmando que já foi vítima chegando perto de perder o controle emocional:

– “Não estou generalizando, mas na Praça João Pessoa, quando parei meu carro, um “flanelinha” se aproximou e já foi anunciando que ia olhar o veículo. No momento em que eu falei que não tinha trocado, fui assacado com vários palavrões que não vou cita-los; ameaças de ter meu carro riscado, pneus furados etc. Nas imediações do antigo fórum, eu presenciei um militar que no momento estava à paisana, também sofrer ameaças de ter seu carro riscado. O militar, no mesmo momento, identificou-se e chamou a polícia, que levou o flanelinha para Delegacia. O pior é que o elemento, aparentemente, havia usado alguma espécie de droga”, relatou.
Luís Siqueira entende que a prefeitura deveria fazer um cadastramento dessas pessoas, fazer uma triagem, dar orientação, para ficar só quem, realmente, tivesse condições de fazer um trabalho decente. Disse ainda o radialista que tem alguns deles que sobrevivem dali, honestamente. Uns que fazem daquele trabalho humilde seu meio de sobrevivência. Esses não podem pagar pelos irresponsáveis que usam dessas práticas escusas, como só arranjar dinheiro para comprar drogas, enfatizou.

Já o segurança Aloisio Macedo, disse não concordar com o trabalho dos flanelinhas. “Se alguém tiver necessidade de parar quatro vezes em pontos diferentes, tem que pagar quatro vezes, e doido é quem não pagar! Quem vai para o centro, tem que levar no mínimo, oito reais, para não ter o seu veículo riscado”, protestou. “Devia haver um órgão competente que regulamentasse como é feito com os moto taxistas e taxistas, que regularizasse esse pessoal, aí se fosse assim, quando acontecesse de aparecer um carro riscado ou pneu furado, tínhamos onde reclamar e tomar as providências”, sugeriu. Disse ainda Aloisio que já presenciou, alguns deles usando pedaços de ferro como arma, usando bebida alcóolica sem a menor responsabilidade. O segurança ressaltou ainda que “a gente já paga tantos impostos, e ter que pagar a flanelinhas sem compromisso, que não vigiam nada, não garantem segurança de nada, assim não dá”! concluiu.
Sobre o assunto, ouvimos o flanelinha Gilson Antônio. Ele se defende, dizendo: “realmente não aprovo quem age assim, de má fé e sem educação com os donos de carro. Sabe que há clientes que estacionam em seu ponto, na Av. Dom José, por algumas vezes já comentaram sobre o assunto, mais ele diz trabalhar há cinco anos no mesmo lugar e nunca teve problema algum, se o cliente não tiver alguma moeda para colaborar com ele, não tem problema, ele olha o veículo do cliente com o mesmo cuidado, e lamenta ter pessoas que sujam a imagem dos que trabalham honestamente”, esclarece.
Também ouvimos o contador Norone Souto Angelim. Sobre a questão ele falou: “nunca fui vítima desse problema, até porque não dou espaço, mas já presenciei um amigo passar por um constrangimento desse tipo, quando, na Praça do Amor, meu amigo estacionou o carro e saiu. Quando voltou, o flanelinha pediu o pagamento. No momento o cidadão respondeu que não portava dinheiro no bolso, naquela hora e teve como advertência que na próxima vez não estacionasse mais naquela área, porque ali pertencia a ele, flanelinha”. Norone sugere que o município tem que tomar uma atitude, já que são tantas as reclamações, pois não dá mais para suportar pessoas sendo extorquidas por essa gente. Vamos esperar que o órgão competente venha resolver essa problemática.

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