Pesquisadores da Embrapa estão selecionando espécies arbóreas que melhor se adaptem ao clima da região para uso na fabricação de moveis

Toda a madeira utilizada aqui no polo vem de fora. Parte vem da floresta amazônica, parte vem de Santa Catarina e outra parte vem do sul da Bahia e Espírito Santo - Foto: Eduardo duarte

Com o objetivo de atender a demanda do polo moveleiro da cidade de Marco, na região do baixo Acaraú, o Sindicato das Indústrias do mobiliário do Ceará (Sindmóveis) em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical e Embrapa Floresta, está desenvolvendo um projeto pioneiro para teste e seleção de espécies arbóreas a serem utilizadas pela indústria moveleira do município.

Em uma área de aproximadamente 3 hectares, dentro do perímetro irrigado do Baixo Acaraú, pesquisadores trabalham com mais de 20 espécies arbóreas que foram trazidas de várias regiões do país. O objetivo do projeto é selecionar espécies que melhor se adaptem as condições climáticas da região. Assim, as indústrias de móveis da cidade de marco vão conseguir produzir a matéria prima, economizando tempo e reduzindo os custos da fabricação dos móveis.

O polo moveleiro de marco é o maior do Ceará. Atualmente, 28 em- presas estão instaladas na cidade, gerando cerca de 1700 empregos diretos. As fábricas da região se especializaram em móveis residenciais de madeira maciça. Como a região não produz a matéria-prima, o jeito é importar a madeira de outras regiões do país, o que acaba encarecendo o produto final.

“Toda a madeira utilizada aqui no polo vem de fora. Parte vem da floresta amazônica, parte vem de Santa Catarina e outra parte vem do sul da Bahia e Espírito Santo”, conta o diretor industrial Maciste Osterno.

A madeira encontrada na região não atende as exigências para oferecer qualidade aos móveis, conta o gerente industrial Agnelo Simetti. “A madeira da região não oferece as propriedades que a gente necessita para o mobiliário. A madeira não pode rachar, ela tem que ter estabilidade, tem que ter lenho firme para que possa haver uma boa colagem, montagem e resistência do móvel”.

Ainda vai levar algum tempo para que o projeto atinja os objetivos, mas os resultados preliminares estão deixando pesquisadores e empresários animados. A expectativa das empresas é que os resultados da pesquisa possam elevar a participação das empresas cearenses no mercado nacional, diminuindo os custos e elevando a qualidade dos produtos.

“Nós vamos poder atingir todo o mercado do norte e nordeste com preços mais competitivos. Temos certeza que esse projeto vai reduzir o custo de produção, pois nós não vamos mais ter que pagar frete, não vamos ter que pagar imposta antecipa- do, porque a madeira já está aqui, a cerca de 6 quilômetros das fábricas”, comemora Osterno.

Marcos Mesquita

jornal@sobralnews.com.br

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