Há pouco mais de um ano o Brasil protagonizava a saída técnica de uma das piores recessões econômicas da sua história. Após oito trimestres consecutivos, o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a ficar positivo (1%). Porém, o que parecia ser um novo começo – inflação e juros caindo, empresas produzindo e empregos voltando – não evoluiu como o esperado. Agora, economistas, empresários e as famílias voltam a se perguntar: quando o Brasil vai de fato sair da crise?

Os indicadores dão sinais de que isso ainda vai demorar. A taxa de desocupação cresceu 1,3 ponto percentual no primeiro trimestre e o número de desempregados está em 13,7 milhões no País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação, apesar de abaixo da meta, voltou a subir.

Com isso, todas as previsões de crescimento da economia já foram revisadas para baixo. A mais recente delas, feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que País deve fechar o ano com avanço de apenas 1,8%. Antes era de 2,3%, mas já foi, no início do ano, de 3%. “É uma queda considerável”, afirma o coordenador de Contas Regionais do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Nicolino Trompieri.

Mas se havia tanto otimismo de que o Brasil estava no rumo certo, o que deu errado? Dentre os fatores considerados decisivos, estão os sucessivos escândalos políticos e a dificuldade do Governo Federal – o mesmo que em 2017 deu o norte para uma retomada – de dar continuidade às reformas, principalmente a da Previdência, e conter o déficit público. “Estes elementos, somados a um governo com baixa popularidade e uma eleição na qual há incerteza de quem será o próximo presidente, diminuíram a confiança dos empresários e dos consumidores, diminuindo o nível de investimentos das empresas e o nível de consumo das famílias”, explica.

A mais recente greve dos caminhoneiros, ocorrida na segunda quinzena de maio como reflexo da política de preços da Petrobras, que já vinha pesando nos custos das empresas e das famílias, também acelerou este processo.

“Afetou todos os setores. Muitas indústrias não tiveram como escoar a produção, houve queda de produtividade, faturamento, faltou insumos. E os efeitos da greve, como a indefinição da tabela de frete, estão se prolongando. O aumento de custos prejudica principalmente as regiões que estão mais distantes dos principais mercados consumidores”, afirma o economista da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Antonio Martins.

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