O próximo Presidente da República e sua equipe, além da nova configuração do Congresso Nacional após as eleições deste ano, terão um cenário desafiador no campo da macroeconomia. Propostas impopulares para ser aprovadas, situação fiscal combalida e marcha lenta do crescimento econômico são algumas das pautas a serem enfrentadas.

O desemprego, que afeta 13,1 milhões de pessoas no País, pode aos poucos estancar. Mas isso está ligado ao aquecimento gradual da atividade econômica. “Teremos pequenas quedas do índice ao longo de 2019. Isso vai depender integralmente das medidas iniciais que o novo presidente vai tomar”, destaca Ricardo Coimbra, mestre em Economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

De maneira mais sólida, o orçamento enxuto do Governo Federal, priorizando um eventual corte de investimentos, deve manter a massa de desempregados. É o que afirma a economista Carolina Matos. “Junto à reforma trabalhista, que estimula a prática generalizada de baixos salários, alta rotatividade e instabilidade no emprego, o Brasil deve perceber um aumento ainda mais evidente da informalidade no País, mantendo preocupantes os percentuais de desempregados”, explica.

No âmbito das reformas, os maiores gargalos são as aprovações da previdenciária e da tributária. Um dos caminhos é usar a popularidade para implementar as mudanças, mesmo sendo medidas consideradas impopulares. “Será necessária uma articulação no Congresso para resolver essas questões, além de formar coalizões para ter maioria na aprovação. O realinhamento da carga tributária é uma das coisas que o novo governo precisa tratar com celeridade”, aponta Coimbra.

Já as contas públicas para o ano de 2019, intimamente ligadas à aprovação das reformas, começam no vermelho com o elevado déficit orçamentário de R$ 139 bilhões. A perspectiva é que os números negativos perdurem por mais dois ou três anos. “As contas públicas estão bastante debilitadas. É necessário agir para reduzir o inchaço do Estado, seja reduzindo o número de ministérios ou cortando gastos de empresas estatais. Precisa-se pensar também na redução de gastos do Legislativo e do Judiciário”, analisa o economista. Para ele, o  Produto Interno Bruto (PIB) também preocupa. Avalia uma alta de 2% a 2,5%, mas, para crescer, as taxas teriam de atingir entre 3,5% e 4%.

No campo inflacionário, a perspectiva é de estabilidade. “Para 2019, com o pouco dinamismo da atividade econômica, a inflação deve permanecer estável, ficando em torno da meta de 4,5% estipulada para o ano que vem. A drástica queda do poder de compra dos brasileiros nos últimos anos aliviou as pressões inflacionárias no período corrente”, ressalta Carolina. Segundo ela, é improvável a queda do índice no ano que vem, especialmente devido aos preços administrados e aos grupos educação e transportes. “Eles, no início do ano, costumam estabelecer aumentos de relevante impacto na renda das famílias”, complementa. A taxa de juros, afirma, vai se manter em queda. “Vai continuar no patamar de um dígito percentual em 2019. Mas isso ainda não dialoga com as potenciais intenções de investimento no País”, alerta.

Para o economista Felipe Holanda, do Conselho Federal de Economia (Corecon), a política monetária deve indicar elevação de juros, porém, longe do que foi empregado em 2015, no patamar dos 14,25%. “Custou muito às contas públicas e aprofundou a recessão. A taxa de juros real mais baixa e uma taxa de câmbio mais desvalorizada são instrumentos fundamentais para retirar a economia brasileira da estagnação em que se encontra”, afirma.

NÚMEROS

13,1

MILHÕES é o número de brasileiros desempregados, conforme dados Pnad/IBGE

Indicadores em 2018

Crescimento econômico de 0,3% no segundo trimestre

O Monitor do PIB-FGV indicou crescimento de 0,3% da atividade econômica do País no segundo trimestre de 2018, em comparação ao primeiro trimestre. Esta é a sexta taxa positiva consecutiva nesta comparação. Na variação mensal, o crescimento de junho foi de 3,3%, quando comparado a maio que retraiu 2,6%.

Desemprego

A população desempregada chegou a 13 milhões no segundo trimestre do ano. Os dados são da Pnad do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve queda de 5,3% se comparado com o primeiro trimestre de 2018. Se comparado com o segundo trimestre de 2017, a queda foi de 3,9%.

Taxa Selic

No início de agosto, pela terceira vez seguida, o Banco Central não alterou os juros básicos da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem a taxa Selic em 6,5% ao ano.

 

PIB e inflação

Para 2018, a estimativa está abaixo do centro da meta que deve ser perseguida pelo BC. Neste ano, o centro da meta é 4,5%, com limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2020, a meta é 4% e 2021, 3,75%.

 

Déficit primário

De acordo com o boletim Prisma Fiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a mediana das previsões para este ano passou de um rombo de R$ 149,642 bilhões para R$ 148,171 bilhões. O valor está abaixo da meta de 2018, que permite um déficit de R$ 159 bilhões.

 

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