Artes sacras, decorativas, artefatos de couro, arqueologia, paleontologia, arte indígena. Com suas 36 mil peças, que incluem uma coleção numismática com 20.394 moedas, distribuídas em 16 salas de visitação, o Museu Dom José é considerado o quinto em artes sacras e decorativas do País e o primeiro no Ceará pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O monumento teve sua inauguração oficial no dia 29 de março de 1951, mas desde 1908 Dom José Tupinambá da Frota, o primeiro bispo de Sobral, recolheu peças históricas em Sobral, Maranhão, Pará e Amazonas para compor o acervo. O patrimônio cultural pertence à Diocese de Sobral e possui uma parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

Com um expressivo fluxo de visitantes, que supera as 300 pessoas por mês, o Museu Dom José é um dos principais pontos de turismo histórico-cultural do Ceará. As peças existentes no museu preservam o cotidiano da sociedade sobralense e da religiosidade que marca os diversos segmentos sociais da cidade. A instituição traz a arte nacional e europeia dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX. Os estilos decorativos são diversos com expressões em Barroco, Neoclássico, Eclético, Neo-Rococó, Popular, Art Noveau, Mobiliário, além de Dom João VI, Império e Napoleônico.

“As peças mostram o início da história de Sobral, a cultura do couro, do algodão e da cera de carnaúba, mas também as artes decorativas da sociedade com os jarros e porcelanas e as artes sacras”, ressalta a coordenadora pedagógica do Museu Dom José, Sílvia Barreto Dias. O diretor é o arquiteto e professor da UVA, Antenor Viana Coelho. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira das 8h às 11h e das 14h às 17h e aos sábados das 8h às 12h. Os grupos que desejarem visitação à noite, como as universidades, podem fazer a reserva com antecedência.

Entre as peças em destaque no museu estão as primeiras imagens da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, como uma imagem de Nossa Senhora da Assunção em terracota policromada, produzida no século XVIII em Viçosa (CE) e os primeiros sacrários. Há ainda uma sala com liteiras da época do Brasil Colônia, cadeiras portáteis e cobertas, sustentada por dois varais compridos e conduzida por dois animais ou escravos, um na parte de trás e outro na frente. Outro destaque é a louça francesa comprada para um jantar servido a conde d’Eu, esposo de D. Isabel, princesa imperial do Brasil.

Ainda em vida, Dom José deixou uma declaração na qual expressa que o museu  “pertence ao patrimônio da Diocese de Sobral ao qual deixo qualquer parte que me pertence por compra feita pessoalmente. É meu desejo que se conserve sempre o museu diocesano, ao qual muito me dediquei por considerá-lo obra cultural de elevado alcance.”

Visitação

Sílvia Barreto ressalta que além das visitas particulares, o museu também recebe grupos de diversas instituições, como escolas públicas e particulares de todo o Estado, crianças especiais, idosos. Em julho, a instituição promoveu a Colônia de Férias com o Museu que contou com atividades lúdicas e visitas guiadas aos museus Dom José e Madi, além da pinacoteca e brinquedoteca. A programação contou ainda com apresentação com mágicos, pintura e gastronomia.

“Eu descobri que não conhecia a história de Sobral”, avalia o estudante Taison Bastos, 14, na primeira vez em que foi ao Museu Dom José. De acordo com ele, as peças aprofundaram seu conhecimento em história e ensinaram muito sobre os fatos que marcaram a cidade. Já Maykelle Silva, 13, pela segunda vez no museu, garante que cada visita é uma novidade. A sala que ela mais aprecia é a das armaduras. “O museu é muito bom para conhecer a história da cidade”, completa.

Via: Correio da Semana

COMPARTILHAR