As primeiras chuvas que banharam a cidade este ano deixaram a população ribeirinha em alerta por causa do risco de novas enchentes.

A Defesa Civil informou que a maior preocupação é com os moradores dos bairros Pedri­nhas, Santa Casa e Tamarindo. Apesar da maior parte das famílias que mora­vam nessas localidades ter sido remo­vida para outros bairros, outras ainda continuam convivendo com o risco de inundações.

No bairro Pedrinhas, pelo menos sete famílias que moravam em casas de pau a pique, construídas a menos de 20 metros do leito do rio, foram transferidas para o conjunto Santo Antônio. Apesar do risco iminente de enchente, a maioria dos moradores afirma que não deixa o local. “O povo de lá (conjunto Santo Antônio) mesmo diz que as pessoas dormem embaixo da cama por causa das balas. Depois das 22 horas ninguém pode ficar na calçada”, alega o estudante Weslley Magalhães.

De acordo com populares, após a retirada das famílias, as casas ficaram abandonadas, o que atraiu a presença de pessoas estranhas que utilizavam as moradias para fazer uso de drogas. A fim de espantar a presença indesejada dos viciados, a própria comunidade se encarregou da demolição. O entulho que sobrou das antigas casas agora oferece risco aos moradores em caso de cheia do rio.

No bairro Tamarindo é a vegetação que cresce no leito do rio e o lixo co­locado dentro do manancial, pela pró­pria população, que elevam ainda mais o risco de inundação.

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Construídas a menos de 20 metros do leito do Rio Acaraú, diversas casas de pau a pique foram abandonadas e, posteriormente, invadidas por bandidos. Com medo, os moradores fizeram a derrubada e, agora, os entulhos podem ser levados pelas águas - Foto: Eduardo Duarte

A última grande cheia do Acaraú foi em 2009. Na época, o nível do rio subiu tanto que a água invadiu a maioria das casas construídas próximas à margem.

“A gente sofreu muito. Muitas pes­soas ficaram em casa de parentes e outras saíram sem direção. As pessoas perderam o que tinham. Foi um caos total”, relembra Lucilene Sousa, pre­sidente da Associação de Moradores do Bairro Tamarindo, que demonstrou preocupação com a vegetação que está tomando conta do leito do rio.

A Defesa Civil informou que já dis­põe de um plano de contingência para ser posto em prática em caso de en­chente. Conforme o subtenente do Corpo de Bombeiros, Marcos Costa, diferente do que aconteceu em 2009, este ano, a Defesa Civil conta com viaturas, equipamentos e efetivo de pessoal adequado para prestar atendi­mento à população durante a quadra invernosa.

Marcos Mesquita

jornal@sobralnews.com.br

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