Considerada problemática pelas ocorrências de violências verificadas em suas dependências, a Escola Ivonir Aguiar Dias teve que ser encerrada e seus alunos transferidos para as escolas de seus respectivos bairros

Reportagem de Carlos Alberto Ritchelly
jornal@sobralnews.com.br

Prédio da Escola Ivonir Aguiar Dias de Ensino Fundamental que abrigará as instalações da Escola de Formação Permanente do Magistério
Foto: Carlos Ritchelly

A Escola Ivonir Aguiar Dias de Ensino Fundamental, situada à Av. Dom José, na parte sudoeste da cidade, criada no ano de 1985, instituída por Lei municipal, construída na gestão do ex-prefeito Joaquim Barreto Lima em convênio com a Diocese de Sobral, na gestão episcopal do Bispo Dom Walfrido Teixeira Vieira, funcionava com o corpo administrativo composto de diretor, secretário, professores e funcionários, alunado de 870 discentes, distribuídas nas 23 salas, com turmas de 6ª, 7ª e 8ª séries, nos turnos da manhã e tarde, está sendo desativada. O motivo é o estigma de ser uma escola problemática. Lá já foi palco de muitas brigas entre os alunos (as denominadas brigas de gangs), dos locais próximos ao colégio. Nesses confrontos se envolviam jovens dos bairros Santa Casa e Tamarindo. A grande maioria dos alunos da escola era residente nos bairros da Santa Casa, Dom José, Sumaré, Padre Palhano e Tamarindo, sendo alguns deles estudantes da citada escola, o que terminava por envolvê-los em cenas de violência. Os pais já não queriam mais matricular seus filhos ali. A Secretaria de Educação do Município resolveu, então, parar as atividades da escola, fazendo as transferências dos alunos para as escolas de seus respectivos bairros.

Segundo informações da Secretaria de Educação do Município de Sobral ao Jornal Sobral News o prédio em que funcionava a escola desativada vai abrigar as instalações da Escola de Formação Permanente do Magistério. Já existe um projeto arquitetônico, a licitação ocorrerá em breve e, depois, haverá reforma e adaptação. No momento, o prédio da escola vem sendo utilizado como depósito de móveis e carteiras deteriorados.
Segundo o Secretário de Educação do Município de Sobral, Júlio Cesar da Alexandre, “a situação da escola Ivonir Aguiar Dias era difícil. Há muito tempo que nós estávamos querendo deixar que ela existisse, porque ela não possuía residências familiares nas suas proximidades. Quase todos os alunos eram de outros bairros como, Dom José, Domingos Olímpio e outros bairros distantes que vinham para estudar, e, às vezes, aconteciam desavenças entre eles, porque os alunos participavam de grupos diferentes. Então, há tempos atrás, conseguimos a desativação da escola, mas, no local, vai funcionar a Escola de Formação Permanente do Magistério, ou seja, a Escola de Formação dos professores. O projeto arquitetônico já está pronto na minha mesa. No projeto possui elevador, jardins suspensos, auditório, cinema, refeitório, sala de vídeo para os professores terem uma acomodação boa. O prédio atual vai ser demolido e lá vai se constituir um ícone da formação dos professores. Na escola tinha 500 alunos que voltaram para as sua origens. Quem era do bairro Dom José foi estudar na Escola Antenor Naspolini; os do Sumaré foram estudar no Colégio José Parente Prado e na Escola Maria José Ferreira Gomes, todos ficarão próximos de suas casas, melhor do que ficar no Ivonir Aguiar Dias. Eles tinham, antes, que se deslocar para o centro para estudar”, relatou o Secretário.

Uma senhora, mãe de alunos que estudavam na escola, e que preferiu não se identificar, moradora do bairro Dom José, declarou: “fiquei mais tranquila com a medida da desativação e da transferência dos alunos, porque aquela escola já foi palco muita violência e de brigas de gangues, entre Santa Casa e Tamarindo. Hoje meu filho estuda na escola Antenor Naspollini, e é mais calmo, fica perto da minha residência, posso acompanhar as amizades que ele tem no colégio”, finalizou.

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