Foto: Marcos Mesquita

O Banco do Nordeste (BNB) pretende contratar R$ 3,960 bilhões em 900 mil operações em 2012, no Ceará. Esse número representa um incremento de 12% em relação ao valor alcançado em 2011. Os dados foram confirmados pelo superintendente estadual do BNB, Rivônio de Morais Pinho, sexta-feira, 27, durante entrevista concedida ao Sobral News na agência do Banco do Nordeste, em Sobral.

A maior parte dos recursos, 51%, será utilizada para atender as micro e pequenas empresas, que representam atualmente 80% da carteira do BNB. “O que deixa muito claro a intenção do banco, e isso foi dito pelo presidente, que é buscar a pulverização do crédito”, disse Rivônio.
Embora não tenha confirmado o volume de recursos destinados a região Norte do estado, o superintendente assinalou que um grande aporte financeiro será investido nas agências da região, dada a importância econômica que ela representa para o Ceará.
Rivônio destacou ainda que os agricultores inscritos no Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) no Ceará serão beneficiados com R$ 213 milhões. Para facilitar o acesso ao crédito, a superintendência estadual do BNB criou o Fundo de Aval, que tem o objetivo de eliminar a figura do Avalista. “Nós compreendemos que o avalista não é saudável para o processo de crédito, especificamente, para o micro”, explica Rivônio.
Em 2012 o banco pretende destinar atenção especial para o empreendedor individual. O BNB criou um programa de crédito específico para atender a esse público, através do qual pretende atingir 3 mil empreendedores dessa categoria no estado.

Contingenciamento afetou
investimentos em 2011
Empresários da região Norte do estado foram prejudicados pelo contingenciamento de recursos, que afetou os investimentos na região. O superintendente explicou que o fato ocorreu porque até o ano passado, existiam dois perfis de enquadramento para as empresas no Nordeste. “Nós tínhamos uma grande dificuldade porque o enquadramento para as empresas no Nordeste, infelizmente, eram dois tipos: um perfil para o BNDS (Banco Nacional do Desenvolvimento) e um perfil para o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste)”, disse.
Os empresários que tinham no FNE a fonte de recursos para tocar seus empreendimentos, foram afetados por causa do contingenciamento de recursos para essa linha de financiamento, o que levou o BNB a escolher os projetos prioritários, conforme explicou Rivônio.
O superintendente informou que em dezembro de 2011, o Conselho Deliberativo (Condel) da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) unificou os perfis das empresas para as duas fontes de financiamento, ou seja, o mesmo enquadramento que o empresário tenha no FNE ele passou a ter também no BNDS. Com isso Rivônio acredita que em 2012 não faltarão recursos para tocar os projetos no estado.

Balanço de 2011
De acordo com os números apresentados à imprensa na semana passada pelo presidente do BNB, Jurandir Santiago, os programas de microcrédito urbano (Crediamigo) e rural (Agroamigo) injetaram juntos, em 2011, R$ 3,7 bilhões na economia informal, alta de 40,9% ante o ano anterior. A projeção para 2012, é emprestar R$ 3,180 bilhões por meio desta iniciativa.
O Crediamigo registrou um incremento de 44%, com empréstimos no valor de R$ 2,9 bilhões. O BNB informou que esta variação é a maior entre todos os programas do banco. A projeção para 2012, é emprestar R$ 3,180 bilhões por meio desta iniciativa.
O Agroamigo somou R$ 775,1 milhões, aumento de 30,1%, o segundo maior índice. A meta é desembolsar R$ 820 milhões neste ano. Os agricultores familiares foram beneficiados, via Pronaf, com R$ 1,3 bilhão em financiamentos, alta de 22,1%. A expectativa é elevar este valor para R$ 1,4 bilhão.
As micro e pequenas empresas (MPEs) receberam R$ 2,569 bilhões, aumento de 12,9%. A projeção é atingir R$ 3,5 bilhões.

 

Marcos Mesquita
marcos@sobralnews.com.br

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