O Becco do Cotovelo, apesar do aspecto que tende ao bucolismo, quando elevado em verso e prosa, é também reconhecido “caldeirão” da política local.

O tradicional Café Jaibaras, do radialista Expedito Vasconcelos, expõe memorial com fotos de personalidades sobralenses e de visitantes ilustres - Foto: Carlos Ritchelly

Mais que uma artéria estrei­ta e “desajeitada”, uma vez que tem a forma de um co­tovelo, por isso o nome Becco do Co­tovelo, o principal ponto de encontro dos sobralenses, e de visitação por quem passa por Sobral, se constitui uma espécie de memorial. Desde que o radialista Francisco Expedito Vasconcelos há algumas décadas se tornou proprietário do Café Jaibaras, revelando alguns aspectos impor­tantes da história da cidade, o local funciona como uma espécie de mu­seu da imagem e do som, que a cida­de ainda não tem instalado, embora exista projeto aprovado pela Câmara de Vereadores.

O Café Jaibaras, que impressiona pelo aproveitamento do seu restrito espaço, cerca de 20m² bem ocupa­dos, oferece lugar a um mural com os principais jornais da cidade e do Es­tado, além de galeria com fotografias de ilustres personalidades, já conta cerca de vinte anos de existência.

“No nosso mural exibimos jornais e anúncios de eventos, o que faz com que os visitantes do Becco fiquem bem informados do que acontece na região. Também temos a “placa mor­tuária”, que, apesar de não ser bem vista, informa os óbitos das pessoas mais conhecidas”, declara Expedito Vasconcelos que, além de proprietá­rio do point, detém o título de ‘Prefei­to do Becco’ e o cargo de presidente da Associação Amigos do Becco, enti­dade que cuida dos aspectos históri­cos do local, preservando memórias e valores que o integram.

O público cativo é um misto de aposentados, poetas, jornalistas, ra­dialistas, escritores, corretores, pu­blicitários, políticos, comerciantes, artistas, além de outros personagens que, a cada dia, encenam capítulos da história do lugar. O público majo­ritário é de homens, muito embora o local receba a graciosidade das da­mas em busca de comprar cigarros, chicletes, balas, crédito de celula­res, cartões tele­fônicos e outros produtos vendi­dos no caixa do Café. O contradi­tório minoritário à grande clientela do lugar é a equipe de funcionárias, quase em sua totali­dade ocupada por mulheres, a come­çar pela sócia do Café, e companheira do proprietário, Lourdes Vasconce­los. Estão lá, também, a irmã de Ex­pedito, Vilma Frota, e as atendentes, Expedita, Graça e Dirce.

O Becco do Cotovelo, apesar do aspecto que tende ao bucolismo, quando elevado em verso e prosa, é também reconhecido “caldeirão” da política local. É nele que o candida­to nasce, e também morre, politica­mente. Os ovacionados saem do local vigorosos, enquanto os premiados com vaias, ou qualquer outro tipo de reprovação, acabam malsucedidos nos embates.

Expedito Vas­concelos se mostra bastante envaide­cido quando apre­senta o “Livro das Visitas Ilustres” contendo dezenas de assinaturas de artistas renoma­dos, presidenciáveis e alguns imor­tais, como é o caso da escritora Ra­chel de Queiroz, do Padre Quevedo e do Padre Vieira, popular defensor do jumento. “No Becco mais famoso do Ceará recebemos muitas autorida­des do mundo político, pessoas que fazem a história, por isso resolvemos fazer essa galeria para prestar home­nagens. O mais interessante é que o povo gosta”, destaca.

A Galeria do Becco foi notícia no Jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, e no Portal G1, da Rede Globo, que deram destaque ao ‘óculos co­letivo’, à ‘pegadinha do espelho’ e, também, à exposição de livros de escritores locais, artifícios que se tor­naram atrativos por suas formas cria­tivas.

O prefeito Expedito falou, ainda, de outra importante motivação do Café Jaibaras: a ‘Coluna da Fama’, onde são colocadas assinaturas de filhos ilustres de Sobral. “Nós esta­mos no Becco e o Becco pode tudo. Daí a razão pela qual criamos e afi­xamos a placa com nome americani­zado de Wall Street. O Becco, muito embora pequeno e estreito, abriga preto, branco, rico, pobre, todos en­fim”, garante. E continua. “Para sentir o pensamento das pessoas que vêm aqui, temos o livro de registros. Com certeza, um dia, esse livro servirá de fonte de pesquisa para qualquer es­critor que queira falar da história do Becco do Cotovelo”, finalizou.

Reportagem Carlos Alberto Ritchelly

Redação Silveira Rocha

jornal@sobralnews.com.br

 

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