Muito embora Tasso Jereissati não declare ter pretensões em disputar o governo do Ceará, seu mais próximo aliado, o ex-senador Luiz Pontes, afirma que a candidatura do tucano irá se concretizar e favorecer uma disputa acirrada do lado da oposição.

“O Tasso será candidato ao governo e vai governar para resgatar a economia, equilibrar a política social e servir a população”, disse Luiz Pontes ao jornalista Roberto Moreira (DN), segundo ele, transmitindo recado aos aliados.

O senador Tasso Jereissati declarou repetidamente que não pretende disputar o governo do Ceará. Luiz Pontes fala com convicção apostando no projeto do PSDB que pretende voltar ao comando do país elegendo Geraldo Alckmim presidente da república.

Relembrando o passado
O ano de 2016 marcou os 30 anos de uma das principais mudanças da história política do Ceará: a eleição do então jovem empresário Tasso Jereissati para o Governo do Estado. Pesquisadores e integrantes da gestão à época relembram os impactos da disputa que marcaria não apenas a derrota de adversários de tradição política, mas, principalmente, o início de um novo modelo de gestão que modificou a realidade do Ceará.

O governo, que ficou conhecido como “Era Tasso”, rompeu com a política do coronelismo e deixou marcas em áreas como saúde, educação, finanças e obras de convivência com a seca. O momento marcou o resgate do orgulho de muitos cearenses e o nascimento de um dos principais líderes políticos do Ceará.

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“Governo das Mudanças”

No dia 15 de novembro de 1986, cerca de 1,5 milhão de votos elegeram Tasso Jereissati, pela primeira vez, governador do Ceará. A disputa contra o militar Adauto Bezerra, do PFL, foi acirrada. Tasso venceu com 52,32% dos votos. À época, o País vivia turbulento momento político, há poucos anos do fim da ditadura militar.

Trajetória política de Tasso JereissatiNo Ceará, a realidade era de um estado onde as contas não batiam, com gastos acima da arrecadação, salários atrasados, problemas no abastecimento de água, alto índice de mortalidade infantil, população vulnerável a doenças e baixos níveis de educação.

Já no primeiro ano de governo, o Ceará sofreu grandes mudanças políticas. Tasso implantou um projeto de moralização, austeridade e transparência na gestão pública, no que ficou conhecido como o “Governo das Mudanças”.

“Tasso tenta evitar toda e qualquer forma de coronelismo, de clientelismo; limpa a folha de pagamento do Estado, faz com que o Estado não vá empregar mais do que o que necessita e consegue com isso um Estado superavitário, um Estado que vai poder investir”, relembra o sociólogo André Haguette.

Até 1987, antes de Tasso Jereissati assumir o governo, servidores públicos chegavam a receber salários em forma de vales, conhecidos como “gonzaguetas”, uma referência ao nome do então governador Gonzaga Mota.

Cobrança de impostos

A rigidez no trato da “coisa pública” vinha do próprio governador eleito e também do economista Lima Matos, escolhido para assumir a Secretaria da Fazenda (Sefaz). Durante o primeiro mandato, Tasso Jereissati deu liberdade para Matos controlar gastos na missão de tirar o Ceará do vermelho. Foi o que ele fez em quatro anos.

Um Estado que, em 1986, estava à beira da falência, passou a ter dinheiro em caixa e credibilidade, antes mesmo de terminar o primeiro mandato. No começo, foi difícil romper com as tradições políticas e econômicas. Parte da população tentava, de diversas formas, driblar o pagamento de impostos.

“Eu cheguei a ir à Assembleia, onde nós colocamos: ‘Serei o melhor defensor que os deputados podem ter, tudo o que vocês botarem na lei, eu vou fazer. Agora, o que vocês não podem é botar na lei que é para cobrar impostos e ir pedir ao secretário para dispensar”, conta Matos.

“Tasso tenta evitar toda e qualquer forma de coronelismo, de clientelismo; limpa a folha de pagamento do Estado, faz com que o Estado não vá empregar mais do que o que necessita”. (André Haguette)

O ex-secretário da Fazenda recorda que um servidor da Sefaz chegou a ser morto ao cobrar impostos no Interior do Estado, já que a atitude não era um hábito dos governos anteriores.

“Eu próprio passei a andar armado, andava com segurança, (sofria) com constantes ameaças, de morte, inclusive, mas, a partir do segundo ano, a coisa se normalizou”, afirma Lima Matos.

Avanços na área social

Além do controle de gastos e enxugamento da folha de funcionários, o “Governo das Mudanças” ganhou visibilidade mundial por avanços na área social.

Um dos maiores desafios do governo, quando Tasso tomou posse, era reduzir os índices de mortalidade materna no Ceará, estimada em 150 mortes para cada mil nascimentos, um índice semelhante ao de países africanos. Reverter o cenário foi função do médico sanitarista Carlile Lavor, nomeado secretário da Saúde.

“O Estado do Ceará era paupérrimo. Uma coisa que se conseguiu importante foi mobilizar a sociedade, desde os pediatras, os enfermeiros, as assistentes sociais, toda a sociedade se empenhou em que reduzíssemos a mortalidade infantil. Foi essencial o trabalho do governador. Anteriormente, todos os funcionários públicos eram escolhidos por padrinhos políticos. Seis mil agentes de saúde foram escolhidos por critério de qualidade”, ressalta o ex-secretário.

“O Estado do Ceará era paupérrimo. Se conseguiu mobilizar a sociedade, desde os pediatras, os enfermeiros, as assistentes sociais, toda a sociedade se empenhou em que reduzíssemos a mortalidade infantil”. (Carlile Lavor)

 

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